As 13 Dicas de Cloud Code que o Criador Usa Diariamente

As 13 Dicas de Cloud Code que o Criador Usa Diariamente

No universo da programação assistida por Inteligência Artificial, o Cloud Code se estabeleceu como uma ferramenta revolucionária. Mas, surge uma questão intrigante: como o próprio criador da ferramenta, Boris, a utiliza em seu dia a dia? Afinal, se alguém conhece os limites e as capacidades máximas de um software, esse alguém é o seu desenvolvedor principal. Boris, o arquiteto por trás do Cloud Code, recentemente compartilhou 13 dicas essenciais, revelando um workflow de altíssima produtividade e segurança que transcende o uso básico da ferramenta.

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As dicas de Boris não são apenas truques; são estratégias de engenharia de software que permitem gerenciar complexidade, garantir qualidade e automatizar tarefas repetitivas, elevando o uso do Cloud Code a um nível profissional. Vamos mergulhar nas táticas que o próprio criador emprega para extrair o máximo de sua invenção.

Seção 1: Gerenciamento de Ambientes e Escala

Dica 1: Rodando Múltiplas Instâncias Locais em Paralelo

A primeira dica de Boris estabelece o tom para um ambiente de trabalho altamente paralelo e eficiente. Ele revela rodar até cinco instâncias locais do Cloud Code simultaneamente. Essa não é uma prática comum para o desenvolvedor casual, mas é crucial para quem lida com grandes bases de código ou tarefas multifacetadas.

Por que rodar cinco instâncias?

  • Separação de Preocupações: Cada instância pode ser dedicada a uma tarefa específica. Uma pode estar focada em testes de integração, outra no desenvolvimento de um novo recurso de backend, e uma terceira na refatoração de código legado.
  • Tarefas Não Conflitantes: Em bases de código modulares, é possível trabalhar em diferentes áreas que não causarão conflito imediato, permitindo que o Cloud Code trabalhe em paralelo sem interrupções.
  • Organização Visual: Boris numera cada terminal (1, 2, 3, 4, 5) para manter a clareza sobre qual processo está em andamento em cada sessão.

Além disso, ele ativa notificações do sistema para saber exatamente quando cada processo de desenvolvimento ou teste é concluído, minimizando o tempo de espera e maximizando o foco.

Dica 2: Ecossistema Híbrido: Local e Nuvem Simultaneamente

A estratégia de Boris vai além do local. Ele não só roda cinco instâncias locais, mas também utiliza de cinco a dez instâncias na plataforma web (cloud.ai) do Cloud Code. Isso significa que ele pode estar gerenciando até 15 sessões de desenvolvimento assistido por IA ao mesmo tempo.

Essa abordagem híbrida permite o “teletransporte” (teleport) das sessões, garantindo que o trabalho possa ser iniciado em seu desktop, monitorado na nuvem e, em alguns casos, até mesmo gerenciado através do aplicativo iOS.

A capacidade de iniciar tarefas a partir do celular, por exemplo, é um testemunho da flexibilidade do ecossistema Cloud Code, permitindo que o trabalho continue mesmo quando ele está longe do computador. Essa ubiquidade é fundamental para manter a alta velocidade em projetos complexos.

Seção 2: Maximizando a Performance da IA

Dica 3: O Poder do Opus 4.5 com Modo Thinking

Quando se trata de modelos de linguagem, Boris tem uma forte preferência: ele usa o Opus 4.5 para absolutamente tudo, sempre ativado no modo thinking (raciocínio).

Embora o modelo Sonnet possa ser mais rápido e menor, Boris argumenta que o Opus 4.5 é o melhor modelo de código que ele já usou. O segredo está na qualidade e na objetividade dos resultados. O modo thinking força a IA a detalhar seus passos de raciocínio antes de gerar o código final. Isso resulta em:

  • Resultados Mais Precisos: O código gerado é menos propenso a alucinações ou erros conceituais.
  • Melhor Uso de Ferramentas: O Opus é superior em integrar e utilizar as ferramentas disponíveis no ambiente Cloud Code.
  • Velocidade Efetiva: Mesmo sendo mais lento na geração inicial, a necessidade reduzida de revisões e correções manuais faz com que o Opus seja, no final das contas, mais rápido.

Seção 3: Colaboração e Documentação Centralizada

Dica 4: Compartilhamento do Arquivo Cloud.md no Repositório

O arquivo cloud.md atua como a memória persistente do Cloud Code. A equipe de Boris adota uma estratégia de colaboração única: eles mantêm um único cloud.md centralizado na raiz do repositório, em vez de múltiplos arquivos espalhados por pastas.

Este arquivo é versionado via Git e permite que toda a equipe contribua para a memória da IA. Se alguém notar que o Cloud Code agiu incorretamente ou cometeu um erro específico, essa informação é adicionada ao cloud.md. O benefício é duplo:

  1. A IA aprende o que não deve ser repetido.
  2. Cria-se um repositório centralizado de conhecimento e correções de comportamento da IA para toda a equipe.

Embora outros times possam manter seus próprios cloud.md específicos, a abordagem de um arquivo geral para o repositório principal simplifica a manutenção e garante que o conhecimento crucial seja compartilhado.

Dica 5: Automatizando a Documentação Durante Code Review

A manutenção da memória da IA (cloud.md) é facilitada por automação. Durante os code reviews, Boris e sua equipe utilizam a ação do GitHub Cloud Code.

Ao fazer um comentário em um pull request, eles simplesmente marcam @Cloud para iniciar uma tarefa. Essa tarefa automatizada adiciona as alterações necessárias ao arquivo cloud.md.

Essa técnica elimina a fricção de pedir ao autor do PR para atualizar a documentação da IA manualmente. O próprio Cloud Code se encarrega de fazer o commit da alteração na documentação, garantindo que a memória seja atualizada de forma imediata e sem sobrecarregar o desenvolvedor.

Seção 4: Estratégias de Execução de Workflow

Dica 6: O Ciclo de Planejamento (Shift Tab Twice)

Para a maioria das sessões de codificação, Boris começa no modo de planejamento (ativado com Shift + Tab duas vezes). Ele enfatiza que um bom plano é a chave para o sucesso em “um só tiro” (one shot).

O processo é iterativo: ele planeja, revisa o plano, e repete até que o plano esteja perfeitamente alinhado com o objetivo. Somente quando o plano está impecável é que ele muda para o modo autoaccept edits. Com um planejamento sólido, o Cloud Code é capaz de gerar o código completo e correto de uma só vez, economizando tempo de revisão e depuração. Isso reflete o princípio de Spec-Driven Development, onde a especificação (o plano) é mais importante do que a execução bruta.

Dica 7: Criando Atalhos com Slash Commands Personalizados

Para tarefas repetitivas que ele executa dezenas de vezes por dia, Boris cria slash commands (comandos em barra) personalizados. Esses comandos são salvos em .cloud/commands e são versionados, permitindo que toda a equipe os utilize.

Um exemplo notável é o comando /commit push pr. O que torna este comando rápido e eficiente é o uso de inline bash para pré-computar informações como o git status. Essa pré-computação garante que o comando execute rapidamente, evitando ciclos longos de interação com o modelo de IA. Isso transforma tarefas complexas de Git em operações de um único comando, economizando tempo valioso.

Dica 8: Automação Complexa com Subagentes

Além dos comandos simples, Boris utiliza regularmente subagentes – entidades modulares especializadas em tarefas específicas. Ele menciona dois exemplos:

  • Code Simplifier: Simplifica e refatora o código após o Cloud Code ter concluído o trabalho inicial, garantindo que o resultado final seja limpo e conciso.
  • Verify App: Contém instruções detalhadas para o Cloud Code testar o aplicativo de ponta a ponta (end-to-end), garantindo a funcionalidade.

Os subagentes funcionam como uma camada de automação para os workflows mais comuns, permitindo que o desenvolvedor invoque especialistas em tarefas específicas sem ter que reescrever instruções detalhadas repetidamente. Eles são essenciais para manter a consistência e a qualidade em escala.

Seção 5: Garantia de Qualidade e Segurança

Dica 9: Post-Use Hook para Formatação Consistente

Embora o Cloud Code geralmente gere código bem formatado, sempre há uma pequena margem (os “últimos 10%”) onde podem ocorrer inconsistências. Para garantir que o código que chega à Integração Contínua (CI) esteja impecável, a equipe usa um post-use hook.

Este hook é executado automaticamente após a conclusão de uma tarefa de codificação pelo Cloud Code, garantindo que todas as regras de formatação sejam aplicadas de forma determinística. Isso evita erros de formatação que poderiam quebrar o pipeline de CI posteriormente.

É uma camada extra de proteção que garante que o trabalho da IA se integre perfeitamente aos padrões de código da equipe.

Dica 10: Evitando o “Modo YOLO” e Configurando Permissões

Muitos usuários, por preguiça ou pressa, utilizam a opção dangerously skip permissions, o famoso “modo YOLO” (You Only Live Once), que libera todas as permissões para o Cloud Code. Boris desaconselha veementemente essa prática.

Em vez disso, ele usa o comando /permissions para pré-permitir comandos comuns que são usados rotineiramente. A maioria dessas permissões é configurada e compartilhada com a equipe através do arquivo cloud-settings.json no repositório.

Vantagens da Configuração de Permissões:

  • Segurança Aumentada: Restringe o que a IA pode fazer, limitando o potencial de comandos destrutivos.
  • Redução de Alucinações: Ao limitar o escopo de ação, você reduz a chance de a IA tentar operações fora de seu domínio, resultando em menos alucinações e respostas mais focadas.
  • Persistência: As configurações são persistidas no repositório, facilitando a integração de novos membros da equipe.

Seção 6: Integração Avançada e Tarefas de Longa Duração

Dica 11: Integração com Ferramentas Externas (Slack, Sentry, BigQuery)

O Cloud Code de Boris não vive isolado; ele é um agente de integração. Ele tem acesso a todas as ferramentas que ele usa no dia a dia, desde plataformas de comunicação (Slack) até sistemas de monitoramento (Sentry) e análise de dados (BigQuery).

Isso permite que o Cloud Code realize tarefas complexas e baseadas em contexto, como:

  • Pesquisar e postar no Slack (via servidor MCP).
  • Executar consultas complexas no BigQuery para responder a perguntas analíticas.
  • Coletar logs de erro diretamente do Sentry.

Essa integração direta é inestimável para fluxos de trabalho de depuração em produção. Se um bug ocorrer, o Cloud Code pode acessar imediatamente os dados do Sentry, correlacioná-los com a base de código e sugerir uma correção, tudo dentro do ambiente de desenvolvimento.

Dica 12: Gerenciando Tarefas de Longa Duração (Long Running Tasks)

Para tarefas que demoram muito tempo (como refatorações massivas ou testes extensivos), Boris utiliza estratégias para evitar bloqueios de sessão:

  1. Verificação com Agente de Background: Ele solicita que o Cloud Code verifique o trabalho com um agente de background, que reporta quando a tarefa está concluída.
  2. Agent Hook Deterministico: Utiliza agent hooks para garantir que a tarefa continue de forma determinística e previsível.
  3. Plugins e Modo Sandbox: Ele usa plugins como o Half-Wigan (embora pouco conhecido), frequentemente em modo sandbox, e com permissões pré-configuradas (don't ask ou danger skip permissions apenas no sandbox). O modo sandbox isola a tarefa, permitindo que o Cloud Code “cozinhe” sem ser bloqueado por prompts de permissão, garantindo que o processo seja ininterrupto.

Seção 7: A Regra de Ouro para Resultados Excelentes

Dica 13: Feedback Loops – Capacite o Cloud Code a Verificar Seu Próprio Trabalho

Boris afirma que esta é, provavelmente, a dica mais importante para obter resultados excelentes. Você deve dar ao Cloud Code uma maneira de verificar seu próprio trabalho. Isso cria feedback loops que melhoram a qualidade do resultado final em duas a três vezes.

Em vez de aceitar o código de primeira, o desenvolvedor instrui o Cloud Code a testá-lo. O Cloud Code é capaz de rodar comandos Bash, executar test suites, e até mesmo interagir com a UI através da extensão Cloud Chrome, abrindo o navegador e simulando a experiência do usuário até que a funcionalidade “pareça e soe bem”.

A verificação pode ser tão simples quanto rodar um comando de teste unitário ou tão complexa quanto testar um fluxo de usuário completo no simulador de telefone. O investimento de tempo na criação dessas instruções de feedback sólidas é o que garante a solidez e a qualidade do código gerado pela IA.

Conclusão: Adotando o Workflow do Criador

As 13 dicas de Boris demonstram que o Cloud Code é muito mais do que uma ferramenta de autocompletar; é um assistente de engenharia de software que, quando configurado corretamente, pode operar em escala, garantir a segurança e automatizar ciclos complexos de desenvolvimento.

Ao adotar o uso de múltiplas instâncias, o planejamento rigoroso (Dica 6), a automação via slash commands e subagentes, e, crucialmente, incorporando feedback loops (Dica 13), os desenvolvedores podem transformar sua produtividade. A chave é tratar o Cloud Code não apenas como um gerador de código, mas como um colega de equipe que precisa de memória compartilhada (cloud.md) e instruções claras para verificar a própria qualidade de seu trabalho. Implementar essas estratégias é o caminho para dominar o desenvolvimento assistido por IA no mais alto nível.

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